sexta-feira, 22 de maio de 2015

Canto curricular

Nome: Renato Barbosa Capella.
Vinte e três anos, recém formado em
Letras. Sou eu um dos muitos que apela
um bom emprego que me dê vintém
para tocar minha vida, pois ela 
só prossegue se meios ela tem.
Me apresento, de farra, com o anzol
dos versos que Camões configurou.

Escolas de bom nível me ensinaram
a ler o universo em amplitude,
e os dotes que na Unesp me legaram
compreendem, digamos, um açude
de onde saco o que mestres já sacaram,
revolvendo o saber com atitude,
torrentes de conhecimento humano,
deste atingindo o escondido tutano.

Meu gosto pelas artes provém de
herança familiar. Jóias raras 
me deixou meu pai. Dirá, quem entende,
que Sosa, Chico ou Tchekhov são preclaras
pessoas. Sim, conhecê-las me acende
furor criativo sem anteparas
e o sonho de a eles ser seguidor
e com igual eloqüência me expor.

Na sétima arte já fiz incursão
nos curtas que atuei tive o prazer
de ver os filmes tal como eles são,
feitos da alvorada ao anoitecer,
ou vice-versa, sempre na intenção
de, com empenho, conseguir fazer
que imagens em movimento fixadas
despertem na gente emoções guardadas.

É no teatro, porém, que me espalho
me choro e rio e gozo sem ter fim
pois no palco, dizendo textos, malho,
qual elefante pisando em jasmim,
tantas aflições que me dão trabalho,
ervas daninhas, do mundo capim.
O teatro, apesar da pequeneza,
é semente de glória e de grandeza.

Dispo-me alegre da realidade
vestindo textos, me banhando em luz
olhos e ouvidos com facilidade
penetro na relação que conduz
uma platéia, em fugaz liberdade,
curtir a ilusão que a cena produz.
Quanto mais indivíduos ilusiono,
cada vez mais do palco me apaixono.

Escrevo bem, modéstia não afeto.
Logo, quero com isso me lançar,
fazer-me notar com o que caneto.
Seja no prosar ou no versejar
Seja na gíria ou no escrever correto
o que desejo é me comunicar.
Palavras, seiva de minhas andanças,
em vós empenho insanas esperanças!

Não tenho habilidade no desenho,
mas tenho amigos nisso talentosos
parcerias já fizemos no empenho
de demonstrar como são saborosos
os textos que, ilustrados, melhor cenho
divulgam a leitores venturosos.
Das letras o singelo colorido
se expande nas figuras exprimido.

Das habilidades: atuo, escrevo,
arranho espanhol, inglês e francês.
No computador, sem medo me atrevo
a fuçar e a aprender o internetês.
Enfim, faço versos, dando relevo
a fatos miúdos que nunca têm vez.
Textos, papelada? Tudo organizo!
Situações adversas? Vou de improviso!

Diz o dito: "O futuro a Deus pertence".
Pitaqueiro que sou, o dito redigo:
O futuro, que o dinheiro o compense!
Não me faltando comida ou abrigo,
já me sinto satisfeito. Porém, se
sobrar algum cascalho, caro amigo,
não há quem me supere em alegria,
promovo um carnaval do dia-a-dia!


São Carlos, 29 de dezembro de 2009

Um comentário:

Filippe F. Cosenza disse...

É sempre um gozo essas leituras! Saudades caro amigo! De ti e do teatro, claro, sempre!