sexta-feira, 30 de março de 2012

Falô, Millôr!

Millôr Fernandes, por Iéio

Que ironia: o artista de primeira grandeza Millôr Fernandes, um dos maiores entusiastas do teatro no Brasil, morreu justo no dia do teatro. Millôr é o cara que, através da escrita e das artes gráficas, deixa mais leve o masoquismo do brasileiro. Millôr, como Shakespeare e outros raros, nunca era, ele já é, e sempre será. Um cara assim não morre, não.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Perguntas



Acordo? Durmo? Levanto? Trabalho?
Visto? Faço? Amo? Lavo? Desisto?
Consigo? Ligo? Devo? Quero? Insisto?
Arrisco? Compro? Pego? Deixo? Encalho?
Entrego? Nego? Minto? Omito? Conto?
Desejo? Espero? Consinto? Acalento?
Pego? Pago? Jogo? Almejo? Desconto?
Persigo? Subo? Desço? Calo? Aumento?
Beijo? Esconjuro? Mato? Aperto? Abraço?
Apareço? Desapareço? Mato?
Deito? Rolo? Cozinho? Frito? Asso?
Como? Atrevo? Modifico? Arrebato?
De tanto perguntar-me, pouco vejo
virar realidade o que desejo.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Maldito teatro

Está para ser inventada coisa mais odiosa do que teatro, arte mesquinha que ou te toma por inteiro ou te frustra totalmente. Ou mesmo te toma por inteiro e ainda te deixa frustrado, pelo fato de nunca te deixar plenamente satisfeito com o trabalho realizado, e ser esse um dos motivos que leva o cidadão a continuar a ele se dedicando, para ver se um dia chega lá, se consegue numa peça agregar Tudo aquilo de relevante que deve ser compartilhado, sendo que esse Tudo é extremamente difícil de ser levado à cena, justamente por ele ser o que é: Tudo.

O teatro é absolutamente odioso para quem, por mera curiosidade, resolve um dia nele se aventurar e acaba gostando, por conta de aplausos e comentários. Vê-se, então, o quanto é poderosa sua comunicação e o quão único é o encontro entre ator e público, quão raro é na velocidade dos dias atuais esse espelhamento que o teatro proporciona. É um vírus sem antídoto, o teatro. Fera que escarnece daquele que, devido à urgência do aluguel, dele se afasta, tendo de investir o tempo em servir a interesses que pensa serem seus, quando na verdade são de outrem. Maldito teatro, mulher fatal, droga ilícita, besta fera, Exu, camisa de força, grilhão, desejo insano que a gente tenta conter, mas que ressurge como só ele, musa-fênix, ideia fixa, prova indelével do masoquismo artístico.

Quando uma pessoa opta pelo teatro, mesmo não se entregando a ele – o pior dos casos –, opta-se pela incerteza. Quando se opta pela incerteza, vive-se como cego à procura de Roma, sujeito a atolar em terreno de areia movediça.

Teatro como recalque, coisa enrustida, é a pior doença que há.

terça-feira, 27 de março de 2012

Sambô

Vi essa banda no "Esquenta", da Regina Casé. Adorei! Os caras são de Ribeirão Preto. Fiquei pensando na reação do Bono ao ouvir esta versão.