Abaixo, breves comentários a respeito das duas peças que estão rolando aos sábados na Casa Rua da Cultura neste início de ano através do projeto Verão Teatro. Vale a pena dar uma passada na Camerino para conferir. Verdadeira fechação!
Duas histórias de amor
Um café e uma história de amor. Um drink e outra história de amor. Está feito o espetáculo: simples como um café que tomamos cotidianamente e sofisticado como um vinho de sabor impecável após dez anos de maturação.
Os dez anos de maturação não são mero exercício de estilo do escritor desta coluna, mas sim a idade que grupo de teatro Caixa Cênica completa em dois mil e doze. Demonstrando incrível capacidade de cativar o público a partir daquilo que a arte teatral tem de mais essencial, os atores, o Caixa Cênica prova que bom teatro, na origem, não rima com produções dispendiosas ou virtuosismos corpóreos. Rima com o bom gosto, bom senso e meticulosidade na elaboração de cada detalhe.
O espetáculo Duas histórias de amor, que está em temporada na Casa Rua da Cultura até fevereiro, nos brinda com duas cenas curtas, duas histórias de amor com conflitos muito bem definidos e muito bem desenvolvidos. Percebe-se a plena preocupação com a cor de cada palavra dita e cada gesto manifestado. Diane Veloso e Thiago Marques estão super entrosados e dá gosto de ver o tanto que eles conseguem se comunicar com a plateia através de tão poucos recursos. Sem exageros, é um trabalho digno dos palcos mais disputados do mundo.
Vida longa ao Caixa Cênica e parabéns pelos dez anos de luta!
Antígona
Entrar na Sala Sergipana de Espetáculos para ver Antígona, da Cia. Stultifera Navis, é se deixar transportar para uma atmosfera completamente diversa da que estamos habituados. Velas vermelhas suspensas em lustres de arame entrelaçado manualmente, andaimes no cenário e muitos atores em cena. Um texto clássico com roupagem moderna, utilizando elementos da cultura africana. Trata-se de um espetáculo bastante impactante. A trilha sonora é um atrativo a parte, pois os atores são bem afinados e todos os sons do espetáculo são produzidos pelo elenco em cena, dispensando gravações e afins. É outro trabalho que valoriza o teatro na essência, na performance dos atores.
As tragédias gregas devem ser sim recicladas, independente do que disserem os mais ortodoxos. Se o mito de Antígona ainda é montado no século XXI, isso significa que ele tem relevância para os que hoje vivem, assim como teve para os que vieram antes de nós. Por isso, a Antígona da Stultifera está há quatro anos em cartaz, por ser um trabalho instigante que revira os sentimentos pertinentes a todos, e pela ousadia, que é outra coisa fundamental a quem faz teatro. Logo, o tom das tragédias é sujeito à apropriações da contemporaneidade de quem as encena.
Muito da encenação lembra o processo de criação do grupo Oficina, de Zé Celso Martinez Correa. A similitude advém da antropofagia, do choque entre culturas, tão característico na formação cultural brasileiro.
Evoé, Stultifera, e muito sucesso à Casa Rua da Cultura.
Verão Teatro
Sextas: Brigite Confidencial (19h) e Cabaret dos Insensatos (20h)
Sábados: Duas histórias de amor (20h) e Antígona (21h)
Até 11 de fevereiro na Casa Rua da Cultura.


1 pitaco[s]:
Ótima divulgação.
beijos.
Zezé
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