segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Enriquecendo o vocabulário


Nas últimas noites, antes de dormir, tenho contado as ovelhas de "Os pastores da noite" de Jorge Amado.

Por que eu demorei tanto para ler esse cara? Meus saudosos professores de literatura da universidade que me desculpem, mas Jorge Amado não tem nada de autor de segunda grandeza.

Acontece muito de gente falar mal de fulano ou sicrano apontando falhas em suas obras, repetições desnecessárias, coisas do tipo, quando o que de fato acontece é uma dor de cotovelo lascada por causa ddo sucesso de alguns nomes. Foi, é e sempre será assim. Jorge Amado é o cara e sua obra é fundamental para a cultura brasileira.

Só me bato é com umas palavras que o cara usa, principalmente as do candomblé. Mas, vamos assim, matando vários coelhos numa cajadada só.

perorar: concluir ou fechar convicto oração ou discurso

bátega: chuva grossa

padê: o padê é uma cerimônia do candomblé e de religiões de origem ou influência afro-brasileira, na qual se oferecem a Exu, antes do início das cerimônias públicas ou privadas, alimentos e bebidas votivas, animais sacrificiais etc., na intenção de que não perturbe os trabalhos com seu lado brincalhão e que agencie a boa vontade dos orixás que serão invocados no culto. Também conhecido como despacho (de Exu).

achorcó: não faço a mínima idéia do que seja, procurei, procurei, e nada.

prosopopéia: figura em que o orador atribui o dom da palavra, o sentimento ou a ação a seres inanimados ou irracionais, aos mortos ou aos ausentes; eu costumo chamar mais de personificação, mas prosopopéia tem aquele toque pedante bem-vindo à literatura.

babalaô: sacerdote de Ifá, que pratica as artes divinatórias; é quem confirma o odu e o orixá de cabeça dos neófitos.

babalorixá: autoridade máxima da umbanda

Obá: é um Orixá ligado à água, guerreira e pouco feminina. As suas roupas são vermelhas e brancas, usa um escudo, uma espada e uma coroa de cobre. O tipo psicológico dos filhos de OBA, constitui o estereotipo da mulher de forte temperamento, terrivelmente possessiva e carente, é mulher de um homem só, fiel e sofrida. São combativas, impetuosas e vingativas.

Enfim, adoro conhecer palavras novas, principalmente quando envolvem dados culturais que eu desconhecia.

Neste momento, preciso perorar este colóquio, pois a bátega acena e lança sobre mim seus olhos faiscantes. Que Obá e demais orixás me protejam, porque nem fiz o meu padê hoje. Como, em meio a tudo isso, vou conseguir descobrir ou que é achorcó? Só que que Cabo Martim se achorcó, que é uma coisa tipo casamento.



Pesquisei no dicionário Priberam Online, Wikipedia e blog O Candomblé (recomendo)

sábado, 3 de dezembro de 2011

Meu perfil no Twitter

"Nasci, cresci, estava lá, hoje estou aqui, ainda não morri, mas estou cada dia mais velho, mais cheio de vida. Estamos aí, mesmo daqui, desafiando a física." 

É a magia dos 144 caracteres!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A nau ancorada na Camerino


Dá dó de ver o estado da Praça Camerino. Sua aparência não faz juz à importância que ela tem para a cidade, principalmente agora que reformaram o Ateneuzinho, transformando-o no Museu da Gente Sergipana, que está muito bonito, diga-se de passagem, e contrastando e humilhando a praça, sem bancos e de calçamento esburacado. Uma praça sem bancos! Foram gastos quase 20 milhões com o museu. Seria interessante gastar um milhãozinho naquela praça, para livrá-la desse ar sombrio que ela emana.

O bom é que nem só de emanações sombrias vive a Camerino, já que ali se encontra a Casa Rua da Cultura, uma das iniciativas culturais mais interessantes que eu já conheci.

Estive ali na última sexta para ver dois dos oito espetáculos – sim, você leu corretamente: são oito espetáculos! – integrantes do projeto Temporada, que dá a oportunidade a grupos de teatro locais ampliarem seu público e sua experiência profissional através de apresentações periódicas em um mesmo local, prática pouco comum tanto para a maioria dos grupos em formação no Brasil como para cidades do porte de Aracaju e com contexto teatral semelhante.

Assisti Almanaque, trabalho que apresenta um panorama histórico do Brasil, da década de 1960 até o ano de 2011, e Cabaré dos Insensatos, espetáculo que envolve o espectador numa atmosfera inebriante, através de quadros cênicos independentes e que, além de se aproveitarem de forma inusitada da Casa, encerram textos pungentes sobre sexualidade, tudo costurado pela canção ‘Joana Francesa’, de Chico Buarque, o cara que quase me assassinou uma vez. É verdade. Porém, essa história vai ter que ficar para outro dia.

Todos os dois espetáculos foram excelentes surpresas. O primeiro, Almanaque, por colocar em cena atores que transparecem muito alegria no jogo teatral e demonstram potencial para ir muito longe. E o segundo, Cabaré, surpreende pelo desprendimento das atrizes, pela exploração cênica e espacial super contemporâneas, a coerência do texto, alguns apanágios sensoriais e outros et ceteras que aconselho a apreciação in loco. Assim me expresso para emular a fala do muito eloquente personagem interpretado pelo eminente ator cujo nome não consigo agora precisar. Logo, peço as escusas do leitor para minha ignorância. Só sei, meu, que o cara é paulistano, conterrâneo meu, meu.

Completam o projeto Temporada deste ano os espetáculos: Antígona, Cárcere de outono, Longe, Pela janela, Duas histórias de amor e Os marginais, todos de Aracaju. Faço questão de vê-los e convido você, que está lendo este texto, a fazer o mesmo, pois os trabalhos andam super bem comentados entre a galera de teatro. O preço do ingresso é baixo e a satisfação é garantida. A Temporada acaba dia 18 de dezembro. Portanto, corra.

Conhecer o projeto me trouxe à tona ideias sobre arte há algum tempo adormecidas. Só posso agradecer e parabenizar o belo trabalho promovido pela Casa Rua da Cultura, por Lindemberg, seu diretor, e pelos demais envolvidos nessa benfazeja nau insensata ancorada na inóspita Praça Camerino.


*Professor, revisor, ator e escritor em busca de um empregador. Acesse o blog: opitaqueiro.blogspot.com.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Ativismo virtual


Dia desses, recebi, não me lembro de quem, o link para o vídeo em que atores da Globo argumentam contra a construção da Usina de Belo Monte. O vídeo faz parte do movimento Gota d'Água. Comprei a ideia e coloquei meu nome no abaixo-assinado que eles promovem, pois penso que o meio ambiente já sofreu demais em nome da tecnologia.

Também recebi outro vídeo feito por estudantes da Unicamp que fizeram uma resposta àquele dos globais. Ambos estão bombando na internet e dividindo opiniões. Achei antipático o trabalho, mas fiquei surpreso com os argumentos.

E em que medida esse embate influi na construção da usina de Belo Monte? Em medida nenhuma, essa é a verdade. A usina estará pronta daqui a alguns anos e pronto. Já lá estão os tratores e toda a parafernália como prova.

De casa, o que a gente pode fazer é brincar de ativista virtual, compartilhando vídeos, assinando petições e coisas do tipo, o que é bacana, moderninho, mas ineficaz na maioria das situações. O que chama mais atenção e pode provocar mudanças mais imediatas é rua, como provam os manifestantes do movimento Ocupe Wall Street. Mesmo assim, há que se ter muita coragem e resistência para enfrentar polícia e afins. Força aí, galera!

Se bobear, levanto o Ocupe Aracaju. Vai ser do cabrunco!

Globais falando de Belo Monte:


Unicampistas falando de Belo Monte:



Dois meses do Ocupe Wall Street:

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Deixa para a semana que vem

Me perdoe, leitor, se não posso lhe dar a merecida atenção neste momento. Enquanto escrevo este texto — que eu já deveria ter entregado à redação —, tenho também que responder um SMS que acabei de receber. Só um momento — “td bem levo hj sem falta o rascunho ok até”.
Pronto. Mais uma vez, me desculpe. É que o editor está me cobrando uma prévia da matéria que me solicitou sobre o movimento “Ocupe Wall Street”, e eu ainda não tenho nada rascunhado. Logo, não posso perder muito tempo por aqui. Você está sabendo desse movimento? Pois é, ocuparam Wall Street! Verdade. Vou para lá cobrir o evento. Os manifestantes estão cobrando a desmonopolização do capital concentrado em... Um momento, tocaram a campainha.
Era o correio. Acabou de chegar a fatura do meu cartão de crédito. Abro? Melhor não. Melhor abrir depois que eu voltar de Nova Iorque, porque já tenho problemas demais na mala. Ah, mas isso aqui eu quero abrir. Comprei um celular novo, sabe? Foi pela internet mesmo. Tem GPS, jogos 3D, internet, câmera, gravador de voz e ainda por cima funciona como telefone! Deixa eu ligar. Puxa vida, você tinha que ver isso! A imagem de abertura parece uma cena do Avatar!
Olha, vamos combinar uma coisa? Eu faço um texto melhorzinho na semana que vem, pode ser? Não deixe de ler minha coluna, não. O problema é que você me pegou de calça curta hoje e não estou psicologicamente preparado para escrever minha masterpiece. Combinado? Daí, eu finjo que nunca percebi quantas vezes você preferiu ler o horóscopo a ler minha coluna e fica elas por elas. Pode ser? Além do mais, tenho que aprender a mexer nesse celular antes de ir para Nova Iorque.
Xi, minha mulher me mandando mensagem pra ir buscá-la no aeroporto, e eu ainda aqui, só de camisa, meia e cueca. Foi mal, tenho que ir. Até semana que vem!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Pitaco cinematográfico: A origem (2010)

Filmaço! Peguei pra ver neste fim de semana, sem nunca ter ouvido nada sobre, nem li sinopse, nada. Fiquei abobalhado com a ideia de entrar nos sonhos dos outros. E tudo funciona muito bem no roteiro, os efeitos são incríveis. Tô besta até agora. Baita elenco. E que atriz fantástica, essa Ellen Page. Sem dúvida, ela é uma das melhores atrizes de cinema da atualidade. Tem gente que nasce pra isso, é incrível. Michael Kane que o diga. O ator participa de só 2 cenas no filme, mas é inacreditável a capacidade que o cara tem de prender o olhar da gente. É uma densidade na voz, nas pausas, no olhar, é toda uma atmosfera criada em favor da cena. Quero ser Michale Kane quando crescer.

domingo, 4 de setembro de 2011

A banda que passou na minha rua

Dias desses, eu pedalava de volta do trabalho e então, a uns dois quarteirões de casa, comecei a ouvir um som que há muito eu não ouvia, um som que faz parte da minha memória emotiva. Era uma banda marcial que passava na minha rua.

Ô saudade do meu tempo de banda, de marchas militares e baladas românticas, de ensaios hilários, viagens, uniformes vistosos, amigos, desfiles na Avenida São Carlos e outras avenidas do interior de São Paulo.

Quando eu comecei na banda, com 11 anos, acontecia uma coisa com uns veteranos dos metais que eu não entendia e achava engraçado. Tipo, numa apresentação de 7 de Setembro, a banda passando, a comissão de frente lá na frente, é claro, a bateria, os metais sempre os últimos do corpo musical, os pais bobos assistindo da calçada, tudo ok. Eis que no meio de alguma música especialmente melodiosa acontecia de um dos veteranos do trompete ou do trombonito estar tocando a tal música e começar a fechar os olhos, a entrar numa viagem muito particular, numa marcha diferenciada, mais lenta, e começar a ficar para trás. Quando o cara se tocava e abria os olhos, a banda já evoluía a uns 30 metros adiante. Era um solo muito peculiar. Só fui entender a sensação quando aconteceu comigo. Na época, eu tocava trombonito.

Agora, divertido mesmo era o ensaio geral, lá no Cecília Meireles mesmo. Tinha um dos grupos de meninas da comissão de frente que fazia as coreografias mais elaboradas, e elas andavam todas com um mesmo estilo de roupa, calça de cintura baixa e blusinha, só variando as cores. E chegava a hora de a gente passar Granada, aquela música tradicional da espanha. Bom, calça de cintura baixa é calça de cintura baixa, e vice-versa. Quem usa sabe muito bem que, se a pessoa se abaixar demais, vai acabar exibindo a região onde terminam as costas e começa o encontro das duas nádegas que, seguras pela calça, formam aquilo que usualmente chamamos de cofrinho. Pois na coreografia de Granada tinha exatamente um momento em que as meninas tinham que se abaixar demais. Contudo, intuitivamente elas inseriam um movimento a mais na coreografia: na hora de abaixar, todas, sem exceção, levavam um dos braços para trás e seguravam o cós da calça, protegendo assim seus cofrinhos dos olhares gananciosos dos meninos. 

As lembranças desfilaram na porta de minha casa, provocando um fim de semana nostálgico.

sábado, 3 de setembro de 2011

Dança tradicional de Bali



Sempre ouvi falar dessa manifestação cultural da Indonésia, mas só agora, estudando Artaud, é que parei para ir atrás de mais referências. Aproveito para compartilhar. Artaud pirava nessa dança.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Náufrago da esperança

Mnouchkine e sua trupe vem ao Brasil em outubro. Nessas horas é que me bate mais forte a saudade de São Paulo.

Blablablá

Essa mania de contestar tudo. Num estalo, percebi que há tempos não consigo ouvir ou ler algo sem contestar o expresso. Isso é sinal inequívoco de um ceticismo crônico, talvez herdado de família, talvez não. Contudo, esta introdução autoanalítica não se pretende justificativa carregada de remorso, mas sim moldura para uma reflexão que Artaud me provocou por esses dias.

É conhecida a voracidade com que Artaud atacava o uso das palavras no teatro. Para ele, as palavras não devem ser encaradas como o sustentáculo da cena, sendo esta algo muito maior e passível de se utilizar de elementos mais significativos, já que, segundo o artista francês, o significado usualmente atrelado à cada palavra é arbitrário e rarefeito, pensamento que vai ao encontro do que Saussure e diversos linguistas dizem. A revolta do cara é provocada pela constatação de que o teatro ocidental, tal como ele o conheceu, mas como ainda hoje se nota, é quase que completamente ditado pelo texto escrito, por palavras, palavras e mais palavras. E ditado no sentido de ditadura mesmo. É só pensarmos no que perguntamos a um colega quando o mesmo está para começar um novo trabalho: que texto você vai montar?

Entendo a revolta de Artaud e concordo que o teatro exclusivamente calcado no texto, leia-se bem o “exclusivamente”, não passa de um recital à fantasia, ao contrário das montagens que apresentam elaborado trabalho de corpo e que busquem a extração poética de cada mínimo elemento cênico significativo, contrapondo ideias, criando imagens surpreendentes e reflexivas à plateia.

Aí, vem o contestador aqui pra dizer o seguinte: meu querido Artaud, é claro que existe muita mediocridade em boa parte da produção teatral do século XX e início do século XXI, no entanto há que se levar em conta um porém. Você, que tanto elogia o teatro balinês, que é sim, de fato, deslumbrante e particularmente vivaz, não deve se esquecer de que, da mesma forma que o corpo constitui elemento de maior privilégio no teatro oriental, atingindo um nível de excelência formal nunca atingido pelo teatro ocidental, este, sem sombra de dúvida, e desde os gregos, atingiu níveis elevadíssimos na questão poética e dramatúrgica, o que em si já caracteriza positivamente o mesmo. Daí, concluo que o problema não está propriamente no texto escolhido para encenação ou no uso das palavras em cena, mas sim no modo como o texto é desenvolvido para culminar em espetáculo.

Essa minha reflexão ainda insipiente, vou desenvolvendo-a. Já se nota que sou partidário do texto, do bom texto, do texto-texto e do texto-cena, enfim. Digo que não se pode desprezar tudo que já se escreveu. E digo ainda que Artaud, esse cara que tanto admiro e que tanto detestava as palavras, escrevia com o virtuosismo de um dançarino balinês.

domingo, 22 de maio de 2011

Aracaju, da Colina de Santo Antônio

Van filosofia



Terminei de ler agora mesmo mesmo o livro Van Filosofia, de Imara Reis e Thiago Bechara. O que que eu posso dizer? Nada. Sou muito suspeito. Sou amigo da Imara desde de 2007, quando pedi a ela uns pitacos para compor o personagem de um curta da Imagem & Som que participei naquele ano. De lá pra cá, sempre que posso, entro em contato com ela pra pedir auxílio em algum personagem que eu esteja trabalhando ou simplesmente pra jogar conversa fora, flar dos meus problemas, ouvir os dela, comer um pão de queijo, essas coisas. É ótimo jogar conversa fora com a Imara.

Gente, vale a pena ler esse livro. Ele vai além do que a Coleção Aplauso se propôs até agora. É um livro que diz muito sobre a realidade do ator no Brasil, sobre seus prazeres e angústias. Ademais, para os leitores mais atentos, tem uns pitacos ótimos a respeito do ofício do ator. Sei lá. Leiam! Dica: comprem pelo site Imprensa Oficial.

domingo, 1 de maio de 2011

Trabalhar é preciso, viver não é preciso

Faz dois meses e alguns dias que consegui meu primeiro trabalho de carteira assinada. A propósito, e para quem não sabe, fiz vinte e cinco anos em dois mil e onze.

É a primeira vez que passo um Dia do Trabalho com registro em carteira, fadiga no corpo e pouco dinheiro no bolso. Faz parte.

Quem diria que algum dia eu trabalharia numa operadora de turismo? A CVC, para mim, é mais do que a minha empregadora, ela é meu passaporte para o mundo do trabalho. E tem sido um aprendizado riquíssimo estar ali, revisando geografia, história, buscando entender como funcionam aeroportos, hotéis, receptivos, taxas, cartões de crédito, financiamentos, relações empresariais etc.

No fim, era assim mesmo que tinha de ser. Nada é à toa na vida. Trabalhar é preciso, viver não é preciso. A gente estuda para uma coisa, mas acaba indo trabalhar com outra. A gente se programa para morar numa cidade, e acaba indo morar noutra e por aí vai. Fiz Letras, e hoje estou no Turismo – mas tencionando voltar à minha área. Ia pra São Paulo, porém vim para Aracaju. É tudo meio impreciso mesmo, e tudo por conta de algumas precisões que temos. A precisão de qualquer emprego não serve a nenhuma vida.

Em viagens nos minutos ociosos do serviço, já pensei em fazer pacotes de viagem muito doidos, como um que refaria todo o trajeto de Marco Pólo pelo Oriente, ou o de Fíleas Fogg na Volta ao mundo em oitenta dias. Hora ou outra eu faço e ponho pra divulgar.

Ando em falta com minhas leituras e com o conhecimento adquirido na faculdade. Ainda me organizo para retomar isso tudo.

Pelo Brasil e pelo Mundo, muitos trabalhadores como eu estão em confraternização para celebrar o trabalho. E, como o trabalho é sinônimo de ganhar dinheiro pra viver, essas pessoas, assim como faço eu na humildade da minha casa, celebram a vida, que é maior do que trabalho. 

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Saudade é feita de matéria ausente,
é música de silêncios formada,
é procurar desvendar a charada
da brisa leve no ouvido da gente,

é ponto fraco de qualquer valente,
é qual estátua de fogo talhada,
é sol afanando a noite estrelada,
é lonjura se fazendo eloquente

é ler livro ainda por ser escrito,
é ser a todo instante dividido,
é dizer o que não deve ser dito.

É preferível Saudade ao Olvido,
já que aquela tem alimento irrestrito
e o outro já morreu desmilinguido.