terça-feira, 3 de novembro de 2009

Para um seminário de retórica e estilística









Alô. Este post, escrevi-o para fins puramente prático. Nesta semana, eu mais Alynne e Jucely teremos de apresentar um seminário da disciplina Aspectos retóricos e estilísticos da argumentação. E nossos objetos de análise são os vídeos acima, que trabalham com a segurança das crianças no trânsito.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Da escola onde estudei

poema em homenagem aos vinte anos do Colégio Cecília Meireles

São tantas na infância as novidades
que às vezes a memória me convida
por pura precisão matar saudades
da escola que me apresentou a vida.

Livros, cadernos, muitos preenchi,
penei com notas baixas, reconheço,
mas aprendi grandes coisas ali
na escola onde errar não é tropeço.

Ia eu, sem saber, sorvendo aos poucos
a lógica do mundo ao meu redor.
E se ela me trazia gestos roucos
na escola meu penar era menor.

Berço dos mais múltiplos sentimentos:
amor, ódio e outros. Certo é que senões
eram, agora vejo, aquecimentos
da escola parideira de emoções.

Sons, silvos, ecos, amigos sãos sempre.
A ausência de seus barulhos me invade
e abate. A tuba faz com que eu me lembre
da escola que me ensinou a amizade.

Adolescente é bicho em sacrifício,
às voltas com pensar em desalinhos.
Meu ser se deve, caso conhecesse-o,
à escola que me apontou caminhos.

No célere trânsito dos sapatos,
a transa de episódios me sacode,
trazendo a nostalgia dos bons tratos
da escola que me deu humanidade.

Livre, de passagem, formado, marcado pelo caleidoscópio escolar,
olho para trás orgulhoso do verde e vermelho da infância e adolescência,
das Julietas de circunstância e das permanentes, olímpicas, celestes.
Sons, sussurros, ovais cortinas se abrindo, luz.
Voz, que é crítica, que é porta-voz de idéias e ideais latentes, lutas.
Perdas, muitas perdas.
Que bom.
Perda é ganho, basta querê-lo.

Saudade às vezes prato pesado que a gente come mesmo sem querer.
Vórticescola.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Relendo o carpe diem

A Vida cobra tanta coisa à toa,
que é bom manter-se em paz e sempre atento.
O tempo traça tonto todo o alento
daquele que só mágoas apregoa.

Em cada gesto que a memória coa
exista uma razão e um sentimento
que mesmo relembrado num momento
consegue estremecer uma pessoa.

Por isso, saibamos, sábios incautos,
da vida catar cada mero encanto,
pois deles todos nós andamos faltos.

Ao final, se o que aqui agora canto
fizer-nos na vivência alguns assaltos
mais leve pesará o pétreo manto.

Recebe o afeto que se enSerra...

Álcool-cigarro dois apaixonados
Livrarmo-nos deles porque são vícios
Com certeza trará mais artifícios
O melhor é mantê-los aliados...
O que importa é manter-nos afinados
Ligando-nos com poesia a bons ofícios
Evitando hipócritas sacrifícios
Contradição que afasta os aliados!
Ignora o que chamam atos falhos
Grandeza há em não seguir conselhos
A hipocrisia lhes conhece os filhos...
Resguardo tem se podes de pentelhos
Recusa-te a levar os seus atilhos
O bem e o mal te fazem de espantalhos.

Augusto Cesar Grillo Capella
22-9-2009

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Curtas do Festival do Rio 2009

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Cacildignidade e encerramento da Jornada Cacildeana






Foto: Cacilda Becker em Maria Stuart, montagem do TBC (1955)



O encerramento da Jornada Cacildeana, evento promovido por pessoas ligadas ao teatro amador de São Carlos, traz três atrações a serem apresentadas no Sesc da cidade. A primeira delas, a ser apresentada na terça-feira (29), é a encenação Cacildignidade, dirigida por Dagoberto Rebucci, que propõe uma reflexão sobre a relevância da Declaração Universal dos Direitos Humanos para os dias atuais. O mote para tal reflexão são depoimentos, entrevistas e cartas de Cacilda Becker, a grande dama do teatro brasileiro. O tom coreográfico da montagem busca um lirismo leve, extraído de áridas questões humanitárias.



Na quarta-feira é a vez da mesa-redonda, cujo tema é “Cacilda Becker: a luta pelo desenvolvimento do teatro no Brasil” e será mediada pela jornalista Alessandra Kuba, da EPTV, contando com a participação de Israel Foguel, Diretor do Teatro Municipal de Pirassununga, Névio Dias e Ângelo Bonicelli, duas figuras fundamentais para o teatro de São Carlos. A última atração é o show musical de Clara Becker, filha de Cacilda. A cantora trará o repertório do seu segundo CD, “Dois Maior de Grande”, no qual apresenta canções de Gonzagão e Gonzaguinha.



Todas as atividades são gratuitas, sendo apenas necessária a retirada antecipada de ingressos na bilheteria do Sesc.







SERVIÇO



JORNADA CACILDEANA

Atividades alusivas aos quarenta anos de morte da atriz Cacilda Becker. Parceria: Icasesp (Instituto Cultural de Artes Cênicas do Estado de São Paulo) e Cotesc (Coletivo teatral de São Carlos).



Cacildignidade
Direção e adaptação do texto: Dagoberto Rebucci. Assistente de direção:
Renato Capella. Elenco: Ana Magda Sakadauskas, Arnoldo Pires, Cleo Pisani, Dirce Semensato, Fernando Cruz, Márcia Casaburi, Renato Capella, Roberto Paulino. Canção “Cacildignidade”: João Paulo Lirani. Coreografia: Mateus de Souza.
29/09/2009, terça, às 20h30, no Teatro do Sesc.



Cacilda Becker: a luta pelo desenvolvimento do teatro no Brasil
Integrantes da mesa: Névio Dias, Ângelo Bonicelli e Israel Foguel. Mediação: Alessandra Kuba.
30/09/2009, quarta, às 20h30, no Teatro do Sesc.



Clara Becker: Dois Maior de Grande
01/10/2009, quinta, às 20h30, no Teatro do Sesc.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Testemunhando Zé Pintor

Taí, outro texto de que me orgulho. Foi um privilégio participar dessa recuperação de um filme do Zé Pintor. E parece que em 2010 vem mais coisa por aí. Texto originamente publicado no Cinegrafia a 10 de novembro de 2008.



No último 10 de outubro de 2008, no distrito de Água Vermelha, aconteceu a exibição do média-metragem “Testemunha oculta” (1969), do cineasta são-carlense José de Oliveira, popularmente conhecido como Zé Pintor. O filme só foi sonorizado agora, quarenta anos após a produção, por alunos e ex-alunos da Imagem & Som. A sessão, além dos milhares de besouros que costumam invadir a região central paulista nessa época do ano, foi acompanhada por centenas de pessoas, entre platéia, músicos da Orquestra Experimental da UFSCar, que executou a trilha sonora ao vivo, e membros da organização do Cine São Roque, projeto de exibição gratuita de filmes naquele distrito. Esse evento fez parte da programação do 2º Contato, festival multimídia em rádio, TV, cinema e arte eletrônica.

A atitude do pessoal da Imagem & Som no resgatar um dos filmes de Zé Pintor é bastante louvável. O resultado da sonorização de “Testemunha oculta”, apesar de já apresentado ao público na última sexta-feira, ainda não é definitivo, afinal resta gravar em estúdio a trilha preparada pela orquestra e acertar alguns detalhes nos ruídos e na dublagem. Esta, por sinal, em vários momentos entrava em conflito com as imagens, como, por exemplo, no excesso de gírias do século XXI nas falas de jovens da década de 1960. Ademais, ainda há que se repensar algumas vozes que não se adequam perfeitamente ao contexto das cenas.

Afora esses poréns, o material mostrado em Água Vermelha corrobora todo o potencial produtivo do audiovisual são-carlense, falando aqui tanto de Zé Pintor como dos alunos egressos da Imagem & Som.

O enredo de “Testemunha oculta”, um suspense no melhor estilo Hitchcock, acompanha as crises de consciência de Carlito, jovem que foi testemunha de um assassinato contra um chefe de jogatina. Por questões que só o desenrolar da narrativa devem elucidar, ele se cala após presenciar o crime. Contudo, surge então um serial killer que passa a apavorar os moradores da cidade.

No decorrer da fita, há o registro de toda a atmosfera que existia em São Carlos àquela época, isto é, roupas, lojas, arquitetura, carros e outros índices característicos dos anos 1960. E os detalhes técnicos cinematográficos, como enquadramentos, decupagem e elaboração de roteiro foram muito bem cuidados pelo diretor, que teve como escola os inúmeros filmes que assistia nas extintas salas de cinema de São Carlos.

Mesmo contando com parcos recursos e tirando muito dinheiro do próprio bolso para levar adiante seus roteiros, Zé Pintor não esmorecia diante das dificuldades, notabilizando-se, dessa forma, por seu empenho e grande criatividade. Só o espectador muito atento percebe que o vulto do policial a passar diante do letreiro da Delegacia num plano de “Testemunha oculta” não é o vulto de um ator, mas sim de um pedaço de papelão recortado como o perfil de um policial.

Outra característica inteligente usada pelo diretor foi apresentar o serial killer através do processo metonímico, fixando-se em detalhes que reiteram e dão fluidez às ações daquele personagem, como os pés misteriosos a se aproximar da vítima e a faca à la “Psicose” usada para os crimes.

O resgate da filmografia de Zé Pintor veio para enriquecer a história cultural de São Carlos e prestar justa homenagem a um artista de empenho quase sobrenatural. Tal resgate, é bom lembrar, vem acontecendo desde 2001, quando o documentarista Eduardo Sá lançou “Zé Pintor: Um olhar sobre São Carlos”, filme que reúne depoimentos e imagens que ilustram a trajetória de Zé Pintor e o cotidiano de São Carlos em tempos passados.