Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Um vício

teatro
te taro
e trato
e trota
tá reto
ter tato
ô treta
teatro

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Meu abajur de injeção


O vídeo acima mostra cenas de um espetáculo teatral que possivelmente fará parte da Jornada Cacildeana promovida pelo Coletivo Teatral de São Carlos.

Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Sobre a Primeira Semana de Artes Cênicas


O risco da coisa toda dar errado era pequeno, afinal o evento foi realizado pelo SESC, que compreende uma estrutura de primeira para abrigar eventos culturais, e pelo Icacesp, órgão do qual faz parte um grupo de pessoas que há aproximadamente quarenta anos sabe como organizar movimentos e festivais de teatro.

Como já outras vezes se reiterou, o estopim dessa Primeira Semana de Artes Cênicas foi o lançamento do livro de Névio Dias, cuja importância para o movimento teatral de São Carlos agora encontra registro indelével. O Mosaico teatral dirigido por Dagoberto Rebucci foi outro ponto alto, por reunir novamente atores que faziam teatro por aqui nos idos de 1960 e 1970. O grupo de dança dirigido por Mariângela Lopes Silva demonstra que também a dança tem bastante potencial na cidade. Duas vezes Machado mostrou a tendência mais atual do diretor Getúlio Alho em mesclar teatro e literatura em prosa. Ney Vilela, acompanhado por Rogério Bastos, preparou um bom programa de músicas teatrais comentadas. A Trupe Olho da Rua, de Santos, trouxe o seu Arrumadinho, espetáculo que problematiza em cena, de modo irreverente e dinâmico, questões muito atuais relativas ao patamar atingido pelo capitalismo. No sábado, 28 de março, houve, pela manhã, a assembléia geral do Icacesp, e à noite fez-se o lançamento do livro de Névio Dias.

Como ator e quebra-galho do evento, digo que, além de passar por uma grande experiência profissional, me senti, ao término da Semana, na noite do lançamento do livro, como se eu estivesse participando de uma formatura, como se eu estivesse saindo de um curso teatral relâmpago e abrangente. E, mais do que isso, observando esse belo fruto daquela efervescência toda do movimento teatral de São Carlos em outras épocas, aqueles atores brilhantes que, se quisessem, poderiam facilmente ter feito carreira no meio profissional, olhando, enfim, para tudo isso, fiquei com a impressão de que algo foi revigorado. Não sei se o interesse pelo teatro, a saudade de outro tempo, não sei. Creio que tanto essa Semana como outros eventos em andamento na cidade estão trazendo à tona novamente a insânia sadia que é fazer teatro.

Oxalá não seja só impressão.

Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Ele não sabe que seu dia é hoje

Vi o Oficina. E justamente no aniversário do Zé Celso, trinta de março. Tudo bem que a peça começou no dia vinte e nove, às oito da noite, mas como a montagem de Bacantes tem cinco horas de duração, vinte e nove e trinta acabam dando na mesma. E, como se não bastasse, vi o Oficina em Araraquara, a terra do Zé Celso.

Um caldeirão: isso é o Oficina. E ferve. Ô se ferve. Que o digam todas as pessoas que já se sentaram nas arquibancadas fronteiras àquela famosa passarela-palco de terra batida. Assistir a um espetáculo desse grupo é cair na farra, sair na chuva, deixar rolar. É algo além do teatro, é algo em que o teatro é o começo, não o fim das coisas. Ou melhor, o teatro feito pelo Oficina estabelece uma nova acepção da palavra teatro.

Fomos eu e mais quatro amigos de São Carlos em caravana para ver a peça. Durante todo o tempo antes da apresentação, eu comentava com o pessoal que eu nunca tinha ficado tão ansioso para ver um espetáculo. A gente estava com cagaço, achando que o elenco ia pegar um de nós, ou todos nós, para ficar pelado lá na frente de todo mundo. Em Bacantes sempre um homem da platéia é despido no palco. Dessa vez escapamos, mas descobrimos que não há lugar na platéia onde o espectador esteja incólume.

Apesar desse cagaço que o Oficina deu na gente, por conta dos excessos da ópera eletrokandombláica-tragicomédiorgiástica que é as Bacantes, sobrevivemos e nos ilustramos mais. É inegável a coerência do grupo na apreensão da cultura brasileira, sabidamente antropofágica. No caldeirão Oficina, como no Brasil, se faz a deglutição da cultura de todo o Mundo ao mesmo tempo, e o produto dessa digestão Oficinesca não é merda, mas energia cênica, que exagera, e espanta, e incomoda, e irrita, e dá cagaço, mas não deixará nunca de ser referência para espectadores e artistas.

Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Queimando o tempo

Findo o mês
queimo a folha que tiro do calendário
na ilusão de
assim
me vingar do que o tempo faz com a gente.

Se isso adiantasse,
faria eu uma fogueira
com todos os calendários que encontrasse.

Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

O sentido da vida

É o seguinte: o sentido da vida é isso aí. Tipo assim, tem o sentido e tem a vida, certo? Então. É porque é complicado, mas sei lá. Quando eu. Mas é uma coisa assim, assim, que engloba. É, engloba, isso mesmo. Todo mundo sabe mas. O sentido da vida é. É, e ponto final. Senão, não, porque já viu. Tem o mundo, que é louco, e o sentido que, se é sentido, não deve. Não, não é tão, é meio. Imagina só a vida sem sentido. Não teria sentido, né? Por isso. Tem o sentido da vida e acabou, entendeu?

Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

A culpa é da Janis Joplin

Comecei a fumar o careta aos dezessete anos. Nessa época, eu curtia muito o roque dos Anos Sessenta, principalmente, e quase exclusivamente, as canções da Janis Joplin. Que maravilha o que essa mulher fazia. Tem gente que diz que ela não passava de uma gritadeira. Mas que baita gritadeira boa ela foi. Foi vendo a capa do disco Pearl, em que ela está semi-deitada num divã com um copo numa mão direita e um cigarro acesso na esquerda que tomei a iniciativa de comprar meu primeiro maço de cigarros, um Marlboro Light.

Lá se foram cinco anos. Nesse meio tempo, tive várias crises de consciência relacionadas aos problemas que posso ter no futuro em decorrência desse vício etc. Já parei e voltei umas duzentas mil vezes. Só que, você que não fuma, imagine uma coisa que você não consegue viver sem. Isso mesmo, tipo chocolate, novela, futebol, ou mesmo sexo, não importa. Imagine você privado de uma dessas coisas e o desespero que isso pode te causar. Fumar é isso aí, a diferença é que o Ministério da Saúde adverte que o cigarro tem mais de quatro mil substâncias tóxicas e dá câncer em tudo quanto é parte do corpo, enquanto essas outras coisas também provocam alguns males, porém mais difíceis de identificar.

O pessoal pergunta se cigarro acalma. Não é que acalma, é que se o fumante inveterado está no trabalho, sem cigarro, sem poder sair para comprar, está com serviço até o pescoço, com o chefe azucrinando, brigou com a mulher pelo telefone, passou o dia inteiro sem fumar, termina o expediente e começa a cair um genérico do Dilúvio, pisa na merda, o ônibus está entupido, o trânsito infernal, o cara decide descer do ônibus e comprar cigarro, está tudo fechado, então, para tentar se distrair, ele vai ao cinema para ver o filme novo da Scarlett Johanson. Pronto, parece que toda a raiva e a ansiedade desaparecem. Daí, a Scarlett pega e acende um cigarro. Numa hora dessas, o cara está tão transtornado que chega a pedir um trago pra Scarlett. Moral da história: o cigarro é o veneno e o antídoto da ansiedade. Tudo depende de que lado você está: no dos fumantes ou no dos não-fumantes.

Cada coisa que acontece. Há poucos dias, comprei cigarro numa dessas lanchonetes que te deixam cheirando tão bem quanto uma coxinha. Acontece que a gordura do lugar era tão grande que até o cigarro que comprei estava gorduroso, sem brincadeira. De repente, parecia que eu estava fumando um pastel adormecido.

Ah, Janis Joplin, se ao invés de cigarro você tivesse uma caneta na mão esquerda hoje eu já seria um best-seller. Talvez alcoólatra, mas best-seller. Paciência. Como todo bom fumante diz, um dia paro de fumar.